Avaliação escolar da aprendizagem da língua escrita
Muitas vezes a avaliação escolar leva em conta somente os aspectos objetivos da escrita do aluno demonstrados nas provas, sem realizar antecipadamente um diagnóstico do meio ambiente onde vive o aluno.
Se o aprendiz está inserido numa família que domina pouco a linguagem escrita, onde a experiência verbal é de baixa frequência, com um repertório limitado de palavras, essa experiência vai aparecer na escola.
Daí a importância de um trabalho de sondagem/diagnóstico e multidisciplinar entre equipe pedagógica, psicopedagógica e os professores. A organização cerebral para aprender e fazer as conexões neurais precisa de estímulo e acompanhamento para explorar todo sua potencialidade.
A escola transmite modelos sociais que
são diferentes para cada grupo social a que o indivíduo pertence. Os educandos
possuem a sua visão de mundo, o seu saber de acordo com o conhecimento
elaborado pela interação com o seu grupo. Entretanto, os mesmos são retirados do
seu contexto social, do seu cotidiano, para serem inseridos num ambiente
cultural abstrato e num espaço que se pretende neutro que é a instituição
escolar.
Diversos grupos agem sobre o processo
educativo e influenciam seus resultados. O sistema escolar sempre sofreu as
marcas originárias dos diferentes grupos, quais sejam, os gestores
(coordenadores, diretores, supervisores, orientadores), o governo, os
políticos, os discursos institucionais dos diferentes níveis de hierarquia, os
discursos dos usuários.
Freire (2014, p.
25) assinala que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as
possibilidades para a sua produção. A relação professor e aluno não é uma
relação de sujeito-objeto, os dois são sujeitos nesse processo de
ensino-aprendizagem, “(...). Quem ensina
aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. (...)”.
O autor compreende o homem e a mulher
como seres históricos e inacabados, e foram aprendendo que socialmente, na
prática, era possível ensinar. Assim, o aprender precederia o ato de ensinar, quanto
mais se exercesse a capacidade de aprender, mas se desenvolveria a curiosidade
de saber, de conhecer.
Charlot (2012) assevera que a educação é
um direito antropológico. O nascimento possibilita a cada indivíduo o direito
de ser educado, permitindo a entrada num processo de humanização, de
socialização, de singularização. O autor assinala que é o ingresso numa
cultura.
De acordo com Charlot, a educação
consiste em ajudar alguém para que se torne um ser humano singular, pertencente
a uma sociedade, a uma comunidade, a um grupo humano e a uma cultura. Para o
autor, a emancipação consiste em ajudar alguém a superar os obstáculos encontrados
nesse processo.
Sua reflexão sobre a educação
emancipatória é que a prática educativa deve levar em consideração a “equação
pedagógica” de que “aprender = atividade intelectual + sentido + prazer”,
significa que os alunos estudem para entender o mundo, a vida, para crescer,
para se sentir inteligentes. Em seguida, Charlot fala sobre a dicotomia
professor de informação x professor de saber. O primeiro, transmite informação
que o estudante pode encontrar no Google; mas, o segundo, precisa avaliar a
informação, relacioná-la com outra e utilizá-la, a fim de resolver problemas ou
responder questões.
Deixe o seu comentário.

Comentários
Postar um comentário
Olá, obrigada pelo comentário. Será bastante útil para nossa avaliação.