sábado, 14 de setembro de 2019

Leitura, Sonho e Bienal 2019

Conforme escrito  no texto anterior do blog, "Linguagem e Cérebro Emocional", a origem da humanidade poderia ser estudada ou conhecida pelo estudo das narrativas literárias. Isso porque entendemos que o texto pode representar as práticas sociais da época. Nessa relação da ficção com a realidade há uma representação de mundo.

Nesse sentido, damos continuidade a esse tema abordando sobre o ato de ler. De acordo com Ezequiel Theodoro da Silva¹, as experiências conquistadas por meio da leitura são fontes de energia que instigam a descoberta, elaboração e difusão de conhecimento.

A variedade e disponibilidade de livros à venda no mercado editorial permitem que o leitor escolha e selecione o que desejar ler. A sua liberdade, a aquisição de novas informações e a consequente expansão de horizontes vão se tornar incentivadoras de diálogos frequentes. Tal prática levará o leitor a participar de forma crítica e ativa da comunicação.

Para tanto, precisamos continuar sonhando com um mundo melhor, sem fiscalização de livros, numa sociedade mais tolerante. Sidarta Ribeiro², neurocientista e professor da UFRN, no seu livro recém-lançado "O oráculo da noite: a história e a ciência do sonho", relata que uma das funções mais frequentes atribuídas ao sonho é a de oráculo capaz de desvendar o futuro, determinar presságios, ler a sorte e adivinhar os desígnios dos deuses.

Ainda de acordo com Sidarta Ribeiro, os sonhos eram levados a sério na Grécia antiga, situando-se no centro da medicina e da política. Na mitologia grega, Hipnos era o deus do sono, irmão gêmeo de Tânatos, deus da morte, filhos de Nix, noite. O reino de Morfeu seria o sonho.

Os antigos se deixavam guiar pelos sonhos, porque poderiam ser proféticos.

Ariano Suassuna tem uma passagem de texto que fala "O sonho é que leva a gente para a frente. Se a gente for seguir a razão, fica aquietado, acomodado".

Então colegas, vamos sonhar que é possível um mundo que respeite a diversidade.

Até a próxima postagem.



1- Silva, Ezequiel Theodoro [da]. O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma nova Pedagogia da Leitura. 11 ed. São Paulo: Cortez, 2011.

2- Ribeiro, Sidarta. O oráculo da noite: a história e a ciência do sonho. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Linguagem e cérebro emocional

Roger Chartier, pesquisador e professor francês, asseverou que a língua é uma prática social. Seria possível estudar a história da humanidade pela evolução do texto escrito devido às significações sociais do texto de acordo com a cultura dos grupos.

A leitura é uma elaboração de significados construídos pelo leitor. Para Chartier, o sentido do texto escrito pode ser completamente diferente entre leitor e escritor. Devido à cultura que cada leitor está inserido e de acordo com sua experiência, idade, vivência, o significado nem sempre vai coincidir durante a apropriação do texto. Uma situação será lembrada pela sua carga de significação, não como uma percepção de elementos, mas como uma significação valorizada, considerada importante.


Desde a Bíblia, de Shakespeare, Cervantes, Machado de Assis, Pedro Calderón de la Barca, Antoine de Saint-Exupéry, José de Alencar e outros escritores cujas obras viraram clássicos, o texto literário é um recorte de uma época. E, como tal, trata das questões universais do ser humano, ultrapassando gerações, independente da subjetividade, do seu caráter verossímil e da imaginação.

A representação de mundo é a característica fundamental que propicia o diálogo do ficcional com a realidade. Nesse diálogo, fatos guardados na memória podem vir à tona porque mexeram com o lado emocional. No resgate da história, muitas questões poderão ser rediscutidas ou reelaboradas. As emoções fazem o indivíduo pensar em coisas adormecidas no passado. A escola amplia essa experiência na linguagem escrita.


A literatura fornece conteúdos históricos, sociológicos, possibilitando conhecer diversas histórias. Para tanto, nossas conexões neurais, por meio das sinapses, vão acionando áreas responsáveis pela interpretação de todos esses estímulos para construção de nossas memórias.

Nosso cérebro aciona a compreensão por meio de vastas áreas dos lobos temporal, occipital e parietal e sua produção, em grande parte, ao lobo frontal. A produção da linguagem requer a utilização de muitas áreas corticais para assegurar que o sentido das palavras seja adequado e que elas sejam bem pronunciadas e colocadas corretamente na frase.

Sendo assim, ler uma simples história, nos faz viajar por diversas culturas, estimula os lobos cerebrais e ainda ampliamos e reelaboramos nossa memória.

Até o próximo texto colegas.



KREBS, Claudia; WEINBERG, Joanne; AKESSON, Elizabeth. Neurociências Ilustrada. Porto Alegre: ArtMed, 2013.

Minissérie "Entre páginas e passos de dança.

Episódio 4: Eles ainda estavam juntos ... mas já não estavam no mesmo lugar.               Marinalda percebe que construiu uma vida inteira ...