As mulheres a
partir de 60 anos reinventaram a nova forma de viver a maturidade. Elas se
divertem, brindam à própria vida, assumem papéis inusitados, tais como DJs do
rock ao bolero, treinam nas academias de ginástica. A jovem senhora, durante a aula de
hidro, ainda canta com uma voz incrível que representa lembrança e história de
tempos idos. Inclusive, nessas aulas, já combinam a programação da
“balada” do final de semana. As amigas dores no joelho, no quadril e na coluna,
quando aparecem, mesmo sem convite, não as impedem da diversão.
Cadê o
infravermelho? Ele esquenta não somente o músculo, mas as conversas. Aquela
faixa amarela? Elas servem também como faixa de Miss, na ala das bengalas,
organizada pelos fisioterapeutas. O despertador tocou, já terminou, chega por
hoje. Fisioterapeutas recebem bolos, chocolates e confidências. Não, agora tem
a aula de dança na academia. O corpo pode reclamar, mas movimento é a palavra
de ordem.
Com ou sem a
presença das outras amigas, Injeção, Botox e Silicone, a Maturidade vai à luta,
brinca com o passar do tempo e se joga. Quem quiser que procure a mulher da
Inteligência Artificial, aquela que não envelhece, não falha, não esquece.
Obedece, não discute. Responde em segundos. Companhia sob medida, atenção
ininterrupta, nenhuma contradição.
Entretanto, há
um detalhe: as máquinas precisam ser reinicializadas quando surge uma nova
versão. Caso não tenham componentes compatíveis, se algo falhar, serão deletadas,
descartadas e substituídas. As mulheres 60+ sabem que viver é aceitar risco, sentir
dor, dançar com limitações, cantar, mesmo quando a voz começa a falhar. Não
foram feitas para reiniciar, e sim para seguir em frente.
As mulheres do
mundo real, não editáveis e sem filtro, fazem um planejamento de viagem como
quem planeja uma fuga feliz. Qual a próxima escala? América do Sul? Nordeste do
Brasil? Ou tomar um café na Serra, visitar uma feirinha e almoçar num
restaurante de comida típica. Conhecer uma nova dança do Norte do Brasil, talvez,
aulas em vários lugares, horários flexíveis e preços acessíveis, pois todo
mundo agora é aposentado.
Cuidado
com o desejo de juventude e perfeição permanentes. Nos filmes sobre Inteligência
Artificial, há sempre um instante em que a criação ultrapassa o criador. As
máquinas são frias e calculistas, guiadas pela sequência de números binários e
algoritmos, com instruções lógicas e ordenadas. Fracassar, errar e envelhecer
são características eminentemente humanas, e isso justamente dá sentido ao
viver. Mulheres maduras são perfeitas nas suas imperfeições e insubstituíveis. O
que incomoda mais: o passar do tempo ou admitir a fragilidade diante de uma
mulher fora do algoritmo?


