quinta-feira, 27 de setembro de 2018

A criança e a aprendizagem da língua escrita


Olá colegas!

Conforme a última postagem, aprender a ler e a escrever não é uma coisa simples. Temos as áreas de Broca e Wernicke envolvidas e suas conexões. Por isso minha proposta para o ensino e avaliação dessa habilidade é a criação de um ambiente que estimule essas áreas do cérebro para o domínio da língua escrita.

No caso do ambiente escolar, pesquisar textos, exercícios, filmes, brincadeiras, jogos que irão despertar o gosto pela leitura e escrita. Tal atividade poderá sr dividida também como tarefa de casa, envolvendo a família no processo de aprendizagem.

As pesquisas realizadas na área de leitura assinalam a importância de percepção da correspondência entre grafema/fonema. Para fazer uma trabalho adequado, as turmas não devem ser grandes para que o professor tenha possibilidade de acompanhar o desenvolvimento do seu aluno. Identificando alguma dificuldade, o correto seria ter uma avaliação multidisciplinar e encaminhar a criança para tratamento, caso seja diagnosticado algum problema neurológico ou emocional.

Para tanto, é necessário ter bons profissionais, que seja realizado um bom diagnóstico, e que não se medicalize qualquer tipo de problema sem a avaliação de um bom médico. Sabemos que, atualmente, todo tipo de comportamento diferente leva a medicalização da criança. Devemos ter cuidado e parcimônia nesse tipo de conduta.

Consulte os nossos vídeos, textos e filmes indicados na coluna do lado direito do nosso blog.

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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Sobre a capacidade de aprender a falar e a escrever


Todos nós nascemos com a competência de aprender a falar, escrever e raciocinar, enfim, ter consciência. Porém, não basta ter essa competência sem a existência de uma estimulação do meio ambiente externo.

Nosso cérebro tem janelas de abertura para a aprendizagem, se aproveitarmos a época certa, as habilidades serão desenvolvidas. 

Lembremos daqueles casos reais de crianças que foram criadas por animais selvagens, nos quais os filmes de Tarzan e Mogli, dentre outros, exemplificaram essa realidade:



Quando nascemos, o cérebro está começando a fazer suas conexões, conforme estimuladas as áreas específicas, os neurotransmissores vão acionando as diversas partes do córtex pré-frontal envolvidas na aquisiçao desse conhecimento.


A área de Broca é responsável pela expressão da fala, e a área de Wernicke é a área associativa auditiva, responsável pela compreensão da linguagem falada.

Segundo o pesquisador Francisco Mora, "... Hoje sabemos que os circuitos neurais que codificam para transformar de grafema a fonema, o que você lê e o que você diz, não fazem conexões sinápticas antes dos seis anos."  



Ou seja, quando passa esse tempo, a aprendizagem será um sofrimento ou nem será possível de que possa acontecer.



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sábado, 15 de setembro de 2018

Os ensinos médio, superior e as ações afirmativas.


Nas últimas postagens do nosso blog falamos sobre a procura pelo ensino médio com vistas ao acesso a uma Faculdade. Bem como as atividades docentes levarem em conta a forma de ministrar aulas para atendimento ao conteúdo cobrado nesses processos seletivos.

Ora, o acesso ao ensino superior não precisaria ser algo tão difícil de se conseguir aprovação. O problema brasileiro é o investimento que se faz na Educação. Sem vagas para todos, aqueles que conseguem um ensino de qualidade, acrescentando a isso pagar por um curso preparatório, acabam ocupando as vagas da universidade, sobretudo as públicas.

 Faço aqui um retorno ao passado recente sobre essa questão. Quando da implantação da política pública do acesso ao ensino superior no Brasil, em 2002,  por meio das ações afirmativas, instalou-se uma polêmica na sociedade sobre a necessidade de uma política de cotas de acesso ao ensino superior com o viés racial, cotas para negros.

De acordo com Silvério (2008), o início do século XXI teve início no Brasil com o debate em torno da educação no processo de desenvolvimento econômico e na promoção da justiça social. A grande novidade seria o surgimento das propostas de ação afirmativa.

Segundo o autor, tais propostas se inserem num contexto social no qual existem 2 questões fundamentais como pano de fundo, a saber: relação de causalidade entre escolarização e renda; e racial e étnico, que condicionariam a mobilidade educacional.

Embora os dados estatísticos demonstrem que, quando há aumento de escolarização, aumenta o salário, o mesmo não ocorre quando se compara a diferença de escolarização entre brancos e negros.

Para Costa (2004), no Brasil, na época do Império, em 1822, juridicamente, a nação estava livre. Porém, as estruturas tradicionais permaneciam inalteradas. Tínhamos herdado uma economia baseada no latifúndio exportador e escravista, uma tradição cultural de mentalidade senhorial:

 "O desenvolvimento da cultura cafeeira veio reforçar esse quadro e tornar mais remotas, nesta primeira fase, as possibilidades de uma evolução para  o trabalho livre. Por toda parte encontrava-se o escravo: nos canaviais, nos engenhos, nos campos de algodão, nas plantações de cacau, nas fazendas de café que se abriam no Vale da Paraíba e nas charqueadas do Sul. No campo e na cidade ele era o principal instrumento de trabalho." (pág. 167)

Costa relata que na Carta Constitucional de 1824 assegurava-se as garantias individuais ao incluir dispositivos da Declaração dos Direitos do Homem, aboliam-se os privilégios e igualava-se a todos perante a lei, mas resguardava-se a propriedade como um direito inalienável e imprescindível do homem, gerando conflitos entre liberdade x direito de propriedade, mantendo a escravidão, o que não preocupava a maioria dos políticos.

E com isso, pouco tempo após a Independência, havia cerca de 2 milhões de habitantes livres e 1 milhão e 150 mil de escravos, concentrados principalmente no Nordeste e na Bahia (zonas tradicionalmente açucareira), nas antigas áreas de mineração e no Rio de Janeiro. Ser dono de terras e escravos eram os ideais da época, possuir escravo conferia prestígio social. Entre os anos de 1840 e 1850 entraram no país uma média de 30 a 40 mil negros por ano, segundo Costa (2004). O contrabando de escravos trazidos da África era altamente lucrativo, embora existisse um decreto, de 1831, declarando livres todos os escravos vindos de fora do Império e impondo severas penas aos traficantes de escravos. Só que a lei era ineficaz. Como os ingleses tensionavam com o Brasil, seus produtos e mercadorias invadiram o mercado brasileiro, como eles eram contra a escravidão, então prosseguiu-se com o tráfico de escravos, era um motivo de desafiar os ingleses. Tal atitude levou ao excesso de escravos e endividamentos dos fazendeiros. Esse era uma assunto que dividia a opinião pública, alguns fazendeiros viram na interdição do tráfico motivo de ganho político. Diante desse contexto, o contrabando de escravos diminuiu, datando de 1856 os últimos desembarque de escravos. 

A condição de vida dos escravos era extremamente precária, as Santas Casas prestavam grandes serviços aos fazendeiros recolhendo os seus escravos. Negros, velhos e doentes, abandonados pelos senhores, perambulavam pelas estradas a mendigar a caridade pública nas cidades.

Tentou-se, através de leis, cercear os abusos cometidos. Cotegipe (Costa, 2005) apresentou à Câmara dos Deputados, em 1854, um projeto que obrigava os senhores a sustentar e manter os escravos alforriados por doença, mas a lei não obteve resultado, a situação de desamparo prosseguia: os precários conhecimentos médicos e o primitivismo da terapêutica improvisada, as más condições higiênicas da senzala, a deficiência de alimentos e do vestuário, as penosas condições de trabalho, tudo contribuía para o alto índice de mortalidade da população escrava. Acrescenta-se à essa situação, a promiscuidade, muitas vezes imperava a licença sexual, não eram raros que os filhos das numerosas ligações resultassem numa população escrava mestiça, às vezes, quase branca.

As afirmações sobre a suavidade do sistema escravista no Brasil, ou sobre a atitude paternalista dos fazendeiros, os retratos do escravo fiel e do senhor benevolente, que acabaram fixando na Literatura e na História, não passariam de mitos forjados pela sociedade escravista para a defesa de um sistema que julgava imprescindível. 

Diante desse relato de nossos pesquisadores, era necessária sim uma política de ação afirmativa no Brasil.


SILVÉRIO, Valter Roberto. O IFP e a ação afirmativa na pós-graduação brasileira. In.: ZONINSEIN, Jonas; FERES JÚNIOR, João (Orgs.). Ação Afirmativa no Ensino Superior Brasileiro. Belo Horizonte: Editora UFMG; Rio de Janeiro: IUPERJ, 2008. p.215-241

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Ainda sobre o Ensino Médio...




Para uma aprendizagem baseada na solução de problemas, é necessário criar o hábito da pesquisa e de investigação. Se o professor está preocupado somente em preparar para fazer provas, com será criado o hábito da pesquisa? 

A metacognição poderia ser justamente utilizada nesse momento, acionando as funções executivas superiores do cérebro. Quando problematizamos o conteúdo e o aluno é o sujeito desse processo, ele  será o responsável por planejar, monitorar e testar as soluções para o problema a ser investigado.

Com uma aprendizagem assim, não basta somente a aula dentro de um espaço fixo, com cadeiras e quadro. Organização de trabalhos em grupo, escolha de filmes, pesquisas em bibliotecas, visitas a museus, etc..

Estruturada dessa forma, a aula passa a ser significativa, as conexões são multiplicadas, tudo é passível de ser conectado, tanto no conteúdo de uma determinada disciplina, como entre as outras disciplinas, ensino multidisciplinar e interdisciplinar. A escola pode incluir em seu planejamento a possibilidade do professor dividir sua carga horária levando em conta essa didática.

O resultado final desse processo de aprendizagem é, sobretudo, a construção de conhecimentos.Atualmente, temos a tecnologia que facilita o planejamento das atividades, lançando  mão de aplicativos e outros recursos de multimídia. O professor disponibiliza uma oportunidade de construção de aprendizagem, onde a prova será apenas uma etapa dessa aprendizagem.

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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Vale a pena estudar 10 anos para começar a cursar o Ensino Médio a fim de fazer a prova do vestibular? 

Ficar na caixinha?



Fiquei pensativa sobre essa questão de sair da caixinha. Minha irmã tem uma filha adolescente, terminando o ensino fundamental nesse ano. Agora, está refletindo em qual escola ela deverá cursar o ensino médio. Nessa procura, me deparei com essa questão do vestibular.

São tantas informações a aprender ainda no ensino médio, um mundo se ampliando nessa fase, onde vamos multiplicando nossas conexões cerebrais. Como ficar presa em estudar de acordo com o que é exigido nos concursos vestibulares, no Enem,...?

Além disso, esse ambiente urbano de violência, trânsito caótico, estresse em diversos tipos de atividades laborais, tudo implicará na vida desses jovens. Qual o mundo que vão encontrar e como será sua atuação profissional?

Para tanto, sair dessa pré-ocupação do vestibular, buscar o autoconhecimento e pensar em ser feliz naquilo que se faz, utilizar as múltiplas inteligências, conforme Howard Gardner, é a saída para procurar uma escola que privilegie a formação do jovem para além das provas de concurso vestibular. 

Talvez, com esse novo paradigma, os jovens poderão extravasar suas emoções, ampliar seu relacionamento intra e interpessoal.

Fica essa dica para orientar em qual escola escolher para atender mais o perfil do seu filho.

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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Para reflexão, nesse momento de eleição.

O texto abaixo é como se fosse uma metáfora para o nosso momento político de escolha dos próximos governantes.Sempre os candidatos lembram da área da educação, que vão investir nisso e naquilo. E nós ficamos confusos, no dividimos, e cada um vai fazendo a sua escolha. Está correto, vivemos numa democracia, sim, porém, o melhor é quando nos unimos e cobramos todos juntos o respeito para com o nosso trabalho, professores e técnicos da educação, sem hipocrisia e demagogia.

Por isso, ao ler esse texto, além de lembrar do filme "Procurando Nemo", inferi que nós seríamos o peixinho pronto para ser devorado pelos grandes peixes. Porém, em uníssono, gritemos que não utilizem nossa causa somente na eleição, nossa luta é por mais verba, não ao sucateamento das escolas, não ao discurso do que deve ser ensinado sem uma consulta e escuta aos anseios da sociedade, respeitando a sua diversidade, nos respeitem!


"Veloz" *




       Havia uma escola de peixinhos, os quais viviam felizes no oceano. Um deles possuía dons tão extraordinários, que seus amigos lhe deram o apelido de "Veloz".
       Certa vez, um peixe enorme passou perto da escola olhando todos os peixinhos com ar inocentes, de repente, engoliu todos, exceto Veloz, que deu um jeitinho de escapar.
     Veloz escapou; por ser pequeno, era muito cauteloso quando via um peixe maior do que ele. Era tão rápido e ágil, que deixava furiosos os peixes maiores; saltava por cima deles e desaparecia em seguida como uma flecha, antes que pudessem pegá-lo.
     Veloz estava resolvido a explorar todas as belezas do mundo subaquático e não queria deixar que o medo o impedisse. Enquanto o resto de seus amigos ficava comendo, ele continuava a fazer sozinho, corajosamente, suas viagens de descobrimento.
     Muito tempo depois, encontrou outra escola de peixinhos exatamente como a sua. Como se sentiu feliz ao encontrar companhia novamente! Eles o escutavam, encantados, quando lhes descrevia os espetáculos que contemplara nos lugares que havia visitado. Falou-lhes da triste sorte da última escola da qual fizera parte, e eles admitiram que também tinham medo dos peixes grandes.
     Veloz, todavia, era esperto e aprendera muito sobre como sobreviver em suas viagens solitárias pelo oceano.
      "Ouçam-me", disse aos peixinhos. "Só existe uma maneira de continuarmos vivos e de desfrutarmos tudo aquilo que a vida nos oferece: devemos nos unir para ficarmos juntos. Agrupemo-nos de forma a parecermos um peixe enorme; assim, vamos incutir temor em todos os peixes grandes e eles nos deixarão em paz."
     Os peixinhos se agruparam em forma de peixe, com Veloz à frente, como olho vigilante de uma criatura disfarçada. Viajando unidos, exploraram o mar, felizes e tranquilos. A partir de então, os peixes grandes os temiam e respeitavam.

Anônimo

*do livro "Estratégias e jogos pedagógicos para encontros", pág. 130, de Marta Lucia Bolivar Gutiérrez [et al.]

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Memória e o fogo no Museu Nacional do Rio de Janeiro, Quinta da Boa Vista😢



Olá, pessoal!

Essa semana é impossível não escrever sobre o incêndio que atingiu o Museu Nacional, no domingo, dia 02 de setembro, localizado em São Cristóvão, zona norte do Rio.

Acredito que, para muitas pessoas da minha geração, ir visitar o museu num passeio da escola primária, hoje ensino fundamental I, era uma atividade normal no calendário escolar e um momento de aprendizagem prática e lúdica de muitas informações que aprendíamos nas salas de aula. Quem não se lembra desse passeio? Ainda mais quando era com a família, podendo passar o dia todo nesse lugar, ir ao jardim zoológico, deitar no gramado, contemplar a paisagem...

Enfim, poderíamos dizer que essa visita ao Museu se tornava especial, inesquecível e assim passava de geração em geração ir conhecer esse museu.

Mas, qual a importância dessa atividade? Era conhecer um pouco do nosso país, da ciência, penetrar num mundo de informações da humanidade. Sairmos da "caixinha", aprender o que aconteceu no passado, como somos resultados dessa história. Para chegarmos até aqui, houve pessoas que construíram esse percurso, essa estrada. Nesse lugar, poderíamos analisar a arte de vários povos, a arquitetura, os tipos de animais, o resultado do trabalho de vários pesquisadores.

Antropólogos, biólogos, historiadores, paleontólogos, todas essas pessoas buscando resquício do passado para reconstruir a trajetória da evolução do homem, da mudança do nosso planeta... Sim, mesmo quem não visitou, mas esse museu está na memória coletiva do nosso povo.

 E, quando ocorre esse incêndio, é a nossa história enquanto povo, enquanto nação, que se transforma em cinzas. Não somos seres isolados, nesse momento é o sentimento de coletividade que está em jogo. Não importa quem visitou ou não o museu, a memória coletiva que passa de geração para geração atualiza esse passado reconstruído. Por meio da troca e do discurso nos grupos sociais, choramos todos pelo que representa essa perda do nosso registro do passado.

Minissérie "Entre páginas e passos de dança.

Episódio 4: Eles ainda estavam juntos ... mas já não estavam no mesmo lugar.               Marinalda percebe que construiu uma vida inteira ...