quinta-feira, 29 de agosto de 2019

A literatura na escola e o cérebro emocional.

A importância das conexões neurais para a aprendizagem está no modo como as informações podem ser armazenadas no hipocampo e trazidas à tona quando solicitadas. Quando um estímulo importante é captado pelos sentidos e atinge regiões cortinais específicas, elas serão direcionadas, interpretadas, elaboradas, e consolidadas na memória permanente.

Quanto mais associarmos estímulos dos vários sentidos, mais facilidade teremos em armazenar informações e resgatá-las quando necessário. 

A formação hipocampal tem como finalidade a consolidação da memória breve em memória definitiva, recebe conexões de todo o neocórtex, que são mapeadas em sinapses, como, por exemplo, se uma área de cor sinaliza "cinza", outra área "grande" e outra área sinalizar "tem uma tromba", o neurônio do hipocampo para o qual os três neurônios se direcionam pode sinalizar que é um elefante.

Sendo assim, neurônios do hipocampo sinalizam de volta ao neocórtex , ativando as mesmas áreas sensoriais que enviaram os sinais originais, fazendo com que uma representação mental do elefante seja formada.

O uso adequado da literatura na escola pode ampliar essa rede de conexões sinápticas, facilitando a memória. O texto provoca no leitor a sensação de uma atividade lúdica de construção e reconstrução de sentido. Porque cria um vínculo entre o leitor e o texto,  possibilitando a interação de várias experiências. O leitor passa a ser além de decifrador de grafemas, um leitor de mundo, como já dizia Paulo Freire.

Para tanto, é preciso exercitar esse cérebro emocional, pensar criticamente com a emoção por meio de vários sentidos. Não é o "Penso, logo existo.", de Descartes, mas, "Penso, porque sinto". Fazer uso do texto como parte da vida social de uma sociedade letrada. 





terça-feira, 20 de agosto de 2019

Sobre o cérebro emocional

Cosenza e Guerra¹ ressaltam que as emoções atuariam como um sinalizador interno de que algo importante estaria ocorrendo. Esse mecanismo permitiria reconhecer as emoções uns dos outros e comunicar situações e decisões aos indivíduos ao nosso redor.

O termo lobo límbico foi utilizado por Pierre Paul Broca, neurologista francês do século XIX. O termo é de origem latina e significa margem, borda.Ele conecta várias áreas de memória com áreas comportamentais, áreas de sensações emotivas com áreas de reações emotivas.

Por meio dessa conexão, todo nosso corpo reage aos estímulos emocionais de uma forma consciente ou inconsciente. Por isso conhecer nosso cérebro emocional é uma forma de saber lidar com nossas reações, o autoconhecimento nos ensina a conviver com a complexidade da vida.

Cosenza e Guerra (2011) reiteram que as emoções precisam ser consideradas nos processos educacionais. O ambiente escolar deve ser organizado de forma a mobilizar emoções positivas (entusiasmo, curiosidade, envolvimento, desafio), enquanto as negativas (ansiedade, apatia, medo, frustração) devem ser evitadas.

Partindo da premissa de que a literatura auxilia na reconstrução da memória episódica, a partir da leitura de histórias que irão ativar algo que está armazenado em nosso sistema límbico, buscar conhecer o emocional do nosso aluno torna-se primordial para o trabalho do professor.

Sobretudo utilizando uma linguagem familiar à cultura da comunidade na qual a escola está inserida. Pois quando o estudante consegue assimilar inicialmente a história, no decorrer da aula, ele poderá acomodar informações e aumentar seu vocabulário bem como os dados da memória. 


1- COSENZA, Ramon M.; GUERRA, Leonor B. Neurociência e Educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: ArtMed, 2011.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Dialogando com outro blog,

literatura e cinema, muita coisa em comum.

Ao ler a postagem do blog de Roberto Sadovski, com o texto "Por que o cinema precisa de mais filmes como Era Uma Vez em Hollywood", um filme de Quentim Tarantino, vi que dá pra fazer um link com o nosso assunto sobre texto literário na escola. È o cinema falando sobre ele mesmo, como metacinema, assim como o texto pode refletir sobre ele mesmo, metalinguístico.


Em seu blog Sadovski relata que o cinema atualmente é feito de marcas, movimentando muito dinheiro num mercado gigantesco que, além do filme, comercializa outros produtos.

Entretanto, os personagens presentes são velhos conhecidos do público mais adulto. O que ocorrem são novas roupagens, novas versões para os clássicos, histórias e enredo já conhecidos.

O filme aborda sobre: 

"Los Angeles, 1969. Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) é um ator de TV que, juntamente com seu dublê, está decidido a fazer o nome em Hollywood. Para tanto, ele conhece muitas pessoas influentes na indústria cinematográfica, o que os acaba levando aos assassinatos realizados por Charles Manson na época, entre eles o da atriz Sharon Tate (Margot Robbie), que na época estava grávida do diretor Roman Polanski (Rafal Zawierucha)."
(sinopse do filme retirado do site http://www.adorocinema.com/filmes/filme-257482/);

"No longa, Pitt interpreta Cliff Booth, dublê e melhor amigo – “mais do que um irmão, pouco menos que uma esposa” – de Rick Dalton (DiCaprio), um ator de TV ultrapassado que ainda sonha emplacar na indústria do cinema."

(sinopse retirado do site https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2019/08/era-uma-vez-em-hollywood-por-que-voce-precisa-assistir-ao-novo-filme-de-tarantino.html)
Como comentamos na postagem anterior, quando se trata de sentimento humano, as histórias ultrapassam épocas, gerações. Sadovski reitera que o cinema não pode sobreviver somente de lançamentos que renderão milhões nas bilheterias. O cinema precisa de boas histórias, e de diversidades de assuntos. Para o blogueiro, é necessário, para a longevidade do cinema, que sejam contadas histórias que surpreendam, estimulem os sentidos e as emoções. Uma história original, com ótimos atores, cumpre sua função de entreter e surpreender.

A literatura é exatamente tal qual essa necessidade do cinema, ter bons personagens, narrativas, enredos, que entretenham seus eleitores, os encantem e cultivem neles a vontade de ler mais e mais.

Essa necessidade humana de contar histórias, vivenciar experiências de outros para entender suas próprias questões é o que motiva milhares de pessoas assistir filmes, a ir ao cinema e também comprar livros, frequentar bibliotecas, livrarias...

Assim como Sadovski fala da necessidade de ir ao cinema, nós professores e familiares precisamos ler, ser exemplo de leitores, demonstrar nosso prazer na leitura.

Vale a pena ler essa postagem de Sadovski e assistir ao filme, fica aqui a dica.


O lugar de pertença da literatura infantil e juvenil na escola

Historicamente, a literatura infantil e juvenil é um gênero situado em dois sistemas: didático e literário. Entretanto, pata se formar um bom leitor, temos que esquecer o objetivo de passar um ensinamento, e incorporar o universo afeito e emocional. Nesses campos, aparecerão temas como conflitos, finitude, diversidade, diversas vozes presentes nas entrelinhas do texto.

Conforme Ligia Cademartori¹, Lewis Carrol foi um inovador quando escreveu seu conto infantil de Alice no país das maravilhas. Dissolvendo a ordem estabelecida, quando Alice cai no poço, é proposto o inabitual, o inusitado, o absurdo. A obra abala o sentido de saber, há uma riqueza de sentido na desordem instaurada a ser descoberta.

A escola tem um papel importante na formação do leitor, ao levar um saber através de um bom texto, uma boa narrativa, sem focar apenas no seu caráter didático.

O conto é um gênero literário que propicia o entrecruzamento de várias vozes em sua narrativa. Como exemplo, podemos trabalhar o conto de fadas, por abordar questões do desenvolvimento psíquico-emocional do ser humano, sobretudo os clássicos, que permanecem até hoje por tocar o sentimento humano de qualquer época. 

Segundo Mendes², psicólogos, pedagogos, professores e outros agentes educativos reconhecem que o contato com o livro é relevante para o desenvolvimento cognitivo, psicológico, socioafetivo e emocional do ser em crescimento. A leitura além de alimentar o intelecto, favorece a apreensão das estruturas narrativas e das convenções literárias, estimulando o desenvolvimento da sensibilidade artística.

Então, colegas professores vamos focalizar essa característica do texto literário no espaço das suas aulas.

O que acham?



1- CADEMARTORI, Ligia. O que é literatura infantil? Sõa Paulo: Ed. Brasiliense, 2010.
2- MENDES, Teresa; VELOSA, Marta. Literatura para a infância no Jardim de Infância: contributos para o desenvolvimento da criança na idade pré-escolar. Pro-Posições, v.27, n. 2, Campinas, Maio./Agosto, 2016.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Olá!

Hoje vou escrever sobre a minha monografia, que ficou pronta ontem (uhuuuu), e se intitula:

 Neurociência Pedagógica: o enfoque da Literatura Infantil e Juvenil e o cérebro emocional.



Estudar sobre a Neurociência na Educação tem sido um momento de muitas descobertas. O nosso cérebro é fantástico, nascemos para aprender e criar, por isso somos os únicos mamíferos com a capacidade de racionar usando o córtex pré-frontal.

Essa parte do cérebro é responsável pela análise, planejamento, controle inibitório, tomada de decisão. Até os 24 anos ele ainda está em desenvolvimento (agora dá para entender quando nossos jovens se aventuram sem medir as consequências). Para tanto, é necessário estimular e aprender o que se pode fazer e quais serão as consequências dos seus atos. Perfeitamente normal.

Por isso, compreendam as "atitudes inconsequentes" dos seus filhos, lembrem-se do córtex pré-frontal.

E na sala de aula?

Todos nós sabemos como é a imaginação das crianças e jovens nesse momento de amadurecimento, suas mudanças de fases. A escola participa desses momentos, então, por que não torná-los prazeroso através da aprendizagem?

Ter a literatura infantil e juvenil fazendo parte da prática docente, em união com os conhecimentos que professores deveriam ter sobre o cérebro emocional, auxilia em tornar a aprendizagem mais significativa.

E, por que significativa?

Porque precisamos nos encantar, encontrar sentido, chamar nossa atenção. Para que isso ocorra, tem que tocar nossa emoção, conforme Relvas (2017)¹, "... tem que ter excitação emocional".

Daí a importância da leitura de obras literárias, ela nos faz "viajar" por mundos distantes, vivendo experiências de outras pessoas, e depois voltar ao nosso mundo real.

Nas próximas postagens, continuarei a escrever sobre esse tema, minha atual paixão.

Agora, gostaria de ler os comentários a respeito do assunto. Precisamos interagir mais.

Aguardo o retorno de vocês.

RELVAS, Marta Pires (org.). Que cérebro é esse que chegou à escola? as bases neurocientíficas da aprendizagem. 3 ed., Rio de Janeiro: Wak Editora, 2017, 


sexta-feira, 2 de agosto de 2019

"... um país se faz com homens e livros.",  Monteiro Lobato

Estou lendo, dentre outros livros, dois que me chamaram a atenção pelos seus títulos: "Leitura de Literatura na Escola"¹ e "De alunos a leitores" ².

Há algum tempo venho observado como as escolas cobram a leitura dos livros paradidáticos solicitados aos seus alunos. Percebo que o interesse é cumprir com um protocolo que caracterizaria nas seguintes orientações: preenchimento das fichas de leitura, talvez fazer uma redação, pesquisar os fragmentos dos textos para demonstrar que o livro foi lido por eles, por inteiro, sem pular capítulos ou páginas ou outro tipo de cobrança.

Ora, essa forma de tratar os textos literários fogem completamente do conceito de leitura literária. Ou se cobra a leitura com o ato de ler ou se cobra a história da literatura, com teorias, fragmentos de textos para análise, etc.

Porque a literatura é um convite para explorar a experiência humana, o enriquecimento do imaginário, da sensibilidade por meio da experiência da ficção. Como já dizia Umberto Eco, "o texto é esburacado e espera que o leitor o complete".

Os livros supracitados asseveram que o objetivo da leitura é despertar o gosto de ler, seja porque temos um gênero preferido (suspense, terror, policial, poesia...) ou porque recebemos uma indicação de quem respeitamos ou porque a obra faz sucesso ou por outros motivos.

A questão é que a leitura não obrigatória promove uma identificação, vivida subjetivamente pelo leitor.

Para implementar essa leitura prazerosa, as escolas deveriam promover uma carga horária somente para leitura, não de fragmento de textos, mas de obras completas, com temas e autores escolhidos por cada aluno.

A leitura de um livro exige tempo de concentração, disciplina e raciocínio, diferente das leituras das redes sociais.

Incluir tempo para ler na sala de aula não significa preencher fichas, fazer resumas,redação ou prova. O objetivo é apenas LER, apenas, com PRAZER, cada um com o seu gosto, criando-se o hábito de leitura.

Após a leitura, os alunos podem conversar entre si, teria um tempo disponível para essa troca de experiências.

Só assim poderemos formar um público leitor de qualidade, que vai aprofundando suas leituras, amadurecendo sua forma de escolher o seu repertório de leituras de boa qualidade. Para tanto, é preciso dar liberdade e tempo de leitura em sala de aula, nem que seja 1 hora por dia.


1- Dalvi, Maria Amélia et ali. (orgs). Leitura de literatura na escola. Sâo Paulo, SP: Parábola, 2013.
2- Ferrarezi Jr., Celso; Carvalho, Robson S. de. De alunos a leitores: o ensino da leitura na Educação Básica.1. ed. - São Paulo: Prábola Editorial, 2017.



Quem é boa filha, a casa torna....

Meus queridos e queridas,

 Após um intervalo devido a compromissos profissionais e outros motivos, fiquei afastada da escrita do meu blog.

Porém, a saudade era grande. Muita vontade de voltar a escrever sobre nosso cérebro e a leitura.

Esse afastamento serviu também para mergulhar na leitura de diversos livros teóricos, não somente porque em atendimento às exigências da pós em Neurociência Pedagógica, na AVM, mas para poder compartilhar com vocês essas informações de grande importância para quem atua na educação básica.

Quanta informação sobre as conexões neuronais, as partes do cérebro, o sistema límbico, a neuroanatomia e neurofisiologia...

Quero compartilhar todas essas informações aqui com vocês, acredito que elas melhorarão a educação de nossas crianças e jovens.

Meu blog é voltado para todos que se interessam pela causa da educação, sejam pais, professores, pesquisadores ou especialistas...

Muito contente em poder voltar aos meus escritos. Espero fomentar debates e buscas por mais conhecimentos.

Um brinde ao nosso retorno.      Amo vocês!!!!!!

Minissérie "Entre páginas e passos de dança.

Episódio 4: Eles ainda estavam juntos ... mas já não estavam no mesmo lugar.               Marinalda percebe que construiu uma vida inteira ...