Linguagem e cérebro emocional

Roger Chartier, pesquisador e professor francês, asseverou que a língua é uma prática social. Seria possível estudar a história da humanidade pela evolução do texto escrito devido às significações sociais do texto de acordo com a cultura dos grupos.

A leitura é uma elaboração de significados construídos pelo leitor. Para Chartier, o sentido do texto escrito pode ser completamente diferente entre leitor e escritor. Devido à cultura que cada leitor está inserido e de acordo com sua experiência, idade, vivência, o significado nem sempre vai coincidir durante a apropriação do texto. Uma situação será lembrada pela sua carga de significação, não como uma percepção de elementos, mas como uma significação valorizada, considerada importante.


Desde a Bíblia, de Shakespeare, Cervantes, Machado de Assis, Pedro Calderón de la Barca, Antoine de Saint-Exupéry, José de Alencar e outros escritores cujas obras viraram clássicos, o texto literário é um recorte de uma época. E, como tal, trata das questões universais do ser humano, ultrapassando gerações, independente da subjetividade, do seu caráter verossímil e da imaginação.

A representação de mundo é a característica fundamental que propicia o diálogo do ficcional com a realidade. Nesse diálogo, fatos guardados na memória podem vir à tona porque mexeram com o lado emocional. No resgate da história, muitas questões poderão ser rediscutidas ou reelaboradas. As emoções fazem o indivíduo pensar em coisas adormecidas no passado. A escola amplia essa experiência na linguagem escrita.


A literatura fornece conteúdos históricos, sociológicos, possibilitando conhecer diversas histórias. Para tanto, nossas conexões neurais, por meio das sinapses, vão acionando áreas responsáveis pela interpretação de todos esses estímulos para construção de nossas memórias.

Nosso cérebro aciona a compreensão por meio de vastas áreas dos lobos temporal, occipital e parietal e sua produção, em grande parte, ao lobo frontal. A produção da linguagem requer a utilização de muitas áreas corticais para assegurar que o sentido das palavras seja adequado e que elas sejam bem pronunciadas e colocadas corretamente na frase.

Sendo assim, ler uma simples história, nos faz viajar por diversas culturas, estimula os lobos cerebrais e ainda ampliamos e reelaboramos nossa memória.

Até o próximo texto colegas.



KREBS, Claudia; WEINBERG, Joanne; AKESSON, Elizabeth. Neurociências Ilustrada. Porto Alegre: ArtMed, 2013.

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