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Mostrando postagens de junho, 2021
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Palavras contam histórias    A construção do sentido II          Ao definir o ato de ler como algo além da decodificação de palavras, a minha intenção foi resgatar o poder do leitor na construção do sentido do texto.          A leitura ativa vivências, valores, espaços; o sentido representa a história de vida do indivíduo. Daí decorre a pluralidade de leituras de um mesmo texto. Essas possibilidades estão previstas nas entrelinhas do texto.  Escrevemos porque desejamos ser lidos e marcar nosso lugar no mundo; e lemos porque somos obrigados ou por prazer ou para informação. De uma forma ou de outra, ler faz parte da nossa ancestralidade.          No conto O céu azul,  tanto leitores de outros países, como do Brasil, da região Sudeste, do Rio de Janeiro, da Zona Sul, da Periferia, da Comunidade, terão leituras diferentes, de acordo com suas vivencias. Porém, todos entenderão a questão da ca...
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Conto O céu azul - a construção do sentido                    Ler vai além da decodificação das palavras. Só podemos considerar que o texto foi lido quando o leitor interage com o mesmo, há uma troca de ideias entre o autor e seu interlocutor. Através das palavras escolhidas, dos personagens, do espaço, das ações, do enredo, tudo faz parte do percurso para o entendimento do texto.         No caso do conto O céu azul,  sobre a professora Cristina e seu aluno Gabriel, narrativa ambientada na cidade do Rio de Janeiro, especificamente numa comunidade carente e dominada pelo tráfico de drogas, a escolha do título não foi aleatória, serviu para contrastar com o final trágico.          Esse contraste percorre todo o texto da narrativa, representando um conflito a ser resolvido pelo leitor. Nessa busca de chegar à descoberta do conflito, vai trazendo elementos de composição da  rot...
  O céu azul Era um dia ensolarado,  nenhuma nuvem, o céu estava azulzinho. Cristina acordou cedo, tomou  café e foi para mais um dia de aula no Rio de Janeiro. Ao longo do caminho, pensava em como tornar o conteúdo mais interessante e assim facilitar a aprendizagem. Seus alunos viviam dispersos. A professora, irritada. Toda hora interrompia o andamento da aula e conversava - se é que podemos falar em conversa - com os alunos, os quais ficavam ainda mais dispersos - sim, e felizes porque conseguiram abalar a mestra. E assim seguia mais um dia de trabalho. Ao término da aula, saindo da escola, tropeçou numa calçada com obstáculos e caiu. Logo apareceu um aluno, o Gabriel, que a ajudou a se levantar. Agradecida e elogiando a sua atitude, percebeu um olhar triste no estudante, como nunca vira antes, pois ele era um menino sorridente, alegre.  Gabriel apresentava dificuldades na realização das atividades escolares, mas era um ótimo contador de histórias, apesar de não sa...