O céu azul
Era um dia ensolarado, nenhuma nuvem, o céu estava azulzinho. Cristina acordou cedo, tomou café e foi para mais um dia de aula no Rio de Janeiro. Ao longo do caminho, pensava em como tornar o conteúdo mais interessante e assim facilitar a aprendizagem.
Seus alunos viviam dispersos. A professora, irritada. Toda hora interrompia o andamento da aula e conversava - se é que podemos falar em conversa - com os alunos, os quais ficavam ainda mais dispersos - sim, e felizes porque conseguiram abalar a mestra. E assim seguia mais um dia de trabalho.
Ao término da aula, saindo da escola, tropeçou numa calçada com obstáculos e caiu. Logo apareceu um aluno, o Gabriel, que a ajudou a se levantar. Agradecida e elogiando a sua atitude, percebeu um olhar triste no estudante, como nunca vira antes, pois ele era um menino sorridente, alegre.
Gabriel apresentava dificuldades na realização das atividades escolares, mas era um ótimo contador de histórias, apesar de não saber registrá-las. Vivia num mundo paralelo. Qual seria o motivo da tristeza? - pensava Cristina. Foi para casa refletindo sobre esse dia.
O dia continuava lindo, uma luz guiava o pensamento de Cristina. De repente, resolveu retornar à escola e pegar o endereço do Gabriel. Assim o fez, indagaram qual seria o motivo da solicitação, o que não foi respondido.
Gabriel morava numa casa não muito engraçada, que tinha teto, chão e parede perfurada, iluminada pela luz do sol que entrava pelos furos produzidos pelos constantes tiroteios. Vivia com sua avó Geralda, uma velhinha muito doente. Ele olhou assustado para a professora e perguntou o que ela estaria fazendo ali, se não teria medo de entrar na comunidade.
Cristina tentava responder e falar de onde viria sua coragem. Mas, de repente, tudo parecia não fazer sentido. Como explicar a vida nesse dia ensolarado, com o céu azul. Para Cristina, acordar, estudar, contemplar o céu, diante de tanta carência, não faria sentido mesmo.
Será esse o motivo do olhar triste? A avó doente? - mais uma vez Cristina mergulhava em seu pensamento. Conversou com o Gabriel sobre a escola, suas notas, demonstrando querer ajudá-lo, sobretudo em agradecimento à atitude daquele dia. Cristina achou melhor não comentar sobre o olhar triste que gritava em seu rosto.
Porém, Gabriel era um psicólogo formado pela vida, sabia que a professora observara algo em seu rosto que a motivou a procurar por ele. Ao olhar profundamente Cristina, o aluno soluçou e chorou copiosamente. Sua avó tinha uma bala no corpo e não teria como mexer, estaria aguardando a qualquer momento a sua partida.
Cristina ficou atordoada.
De repente o dia escureceu, o azul sumiu, começou a chover.
E a avó do Gabriel faleceu.
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