O estupro e as questões curriculares da escola.
Em tempos de discussão da cultura do estupro, sobretudo depois do ocorrido numa comunidade do Rio de Janeiro, considero ser uma boa oportunidade para a escola pensar nos temas transversais como temas centrais. O pesquisador Vitor Henrique Paro assevera que:
"Essas matérias que envolvem o uso do corpo, a criatividade, o manuseio de objetos concretos, opiniões individuais, posturas diante de valores, enfim, matérias que levam os educandos a se comportarem mais explicitamente como sujeitos, são importantes não apenas por seu valor intrínseco de componentes da cultura que precisam ser apropriados, mas também porque elas tendem a tornar mais interessantes as demais matérias, ..." (PARO, Vitor Henrique. Crítica da Estrutura da Escola, 2ª ed., São Paulo: Cortez, 2016, pág. 130)
Então no âmbito do currículo escolar poderia ser aprofundada a discussão sobre os conceitos de culpado, vítima, comportamento da mulher, do homem, etc. Na estrutura superficial dos discursos várias argumentações são postas, tais como:
- a roupa que a mulher usa
- as amizades que possui
- ter vários namorados
- isso é coisa de homem
- homem é assim mesmo
- a mulher que tem que se dar ao respeito
E por aí vai ...
Quando se entra na estrutura profunda do discurso, diversos conteúdos das falas podem representar a crença que a sociedade construiu ao longo do tempo, e que fomos incorporando desde crianças até a fase adulta, reproduzindo em nosso cotidiano.
Como romper com essas crenças, como se apropriar dessa cultura no sentido de promover uma transformação dessa crença?
Que nossa escola aproveite esse momento para trabalhar essa questão.
Crônicas dedicadas a observar o agora - memórias, universo feminino, tecnologia, afetos e inquietações - e canecas personalizadas para os amantes da arte literária.
sábado, 28 de maio de 2016
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