domingo, 30 de maio de 2021

 O retorno II: agora um blog sob outra perspectiva 


Olá pessoal, tudo bem?

Estou retomando mais uma vez a escrita diária do meu blog.

Essas pausas ocorreram devido a problemas pessoais, período de pandemia, ainda em curso, e inquietações despertadas até mesmo por causa da pandemia sobre como utilizar essa ferramenta para conversar com um público de professores e comunidade em geral.

Escrever me faz muito bem, conversar com vocês sempre é um prazer inenarrável. Aliás, espero que estejam atravessando bem por esse período, na medida do possível.

Quem estava acompanhando as postagens anteriores vai perceber alteração não só do título blog mas também conteúdo . A proposta agora é focar mais na leitura, escrita e narrativas, daí o nome "o brilho do texto".

Essa mudança se justifica pela demanda observada na sociedade contemporânea com o acesso da tecnologia da informação. Como formar bons leitores diante do aparato digital que está interferindo na formação de novos leitores?

Independentemente dos conteúdos e professores das diversas disciplinas, como os estudantes imersos nesse universo da leitura podem avançar para uma fase de leitor crítico e reflexivo?

Contribuir com reflexões, dicas, entrevistas, informações é a proposta do blog. Para tanto, convido a todos vocês embarcarem nesse universo para talvez não encontrar as respostas, mas descobrir novas perguntas.

Deixe seu comentário.

Mais uma vez, com é bom estar de volta!



sábado, 14 de setembro de 2019

Leitura, Sonho e Bienal 2019

Conforme escrito  no texto anterior do blog, "Linguagem e Cérebro Emocional", a origem da humanidade poderia ser estudada ou conhecida pelo estudo das narrativas literárias. Isso porque entendemos que o texto pode representar as práticas sociais da época. Nessa relação da ficção com a realidade há uma representação de mundo.

Nesse sentido, damos continuidade a esse tema abordando sobre o ato de ler. De acordo com Ezequiel Theodoro da Silva¹, as experiências conquistadas por meio da leitura são fontes de energia que instigam a descoberta, elaboração e difusão de conhecimento.

A variedade e disponibilidade de livros à venda no mercado editorial permitem que o leitor escolha e selecione o que desejar ler. A sua liberdade, a aquisição de novas informações e a consequente expansão de horizontes vão se tornar incentivadoras de diálogos frequentes. Tal prática levará o leitor a participar de forma crítica e ativa da comunicação.

Para tanto, precisamos continuar sonhando com um mundo melhor, sem fiscalização de livros, numa sociedade mais tolerante. Sidarta Ribeiro², neurocientista e professor da UFRN, no seu livro recém-lançado "O oráculo da noite: a história e a ciência do sonho", relata que uma das funções mais frequentes atribuídas ao sonho é a de oráculo capaz de desvendar o futuro, determinar presságios, ler a sorte e adivinhar os desígnios dos deuses.

Ainda de acordo com Sidarta Ribeiro, os sonhos eram levados a sério na Grécia antiga, situando-se no centro da medicina e da política. Na mitologia grega, Hipnos era o deus do sono, irmão gêmeo de Tânatos, deus da morte, filhos de Nix, noite. O reino de Morfeu seria o sonho.

Os antigos se deixavam guiar pelos sonhos, porque poderiam ser proféticos.

Ariano Suassuna tem uma passagem de texto que fala "O sonho é que leva a gente para a frente. Se a gente for seguir a razão, fica aquietado, acomodado".

Então colegas, vamos sonhar que é possível um mundo que respeite a diversidade.

Até a próxima postagem.



1- Silva, Ezequiel Theodoro [da]. O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma nova Pedagogia da Leitura. 11 ed. São Paulo: Cortez, 2011.

2- Ribeiro, Sidarta. O oráculo da noite: a história e a ciência do sonho. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Linguagem e cérebro emocional

Roger Chartier, pesquisador e professor francês, asseverou que a língua é uma prática social. Seria possível estudar a história da humanidade pela evolução do texto escrito devido às significações sociais do texto de acordo com a cultura dos grupos.

A leitura é uma elaboração de significados construídos pelo leitor. Para Chartier, o sentido do texto escrito pode ser completamente diferente entre leitor e escritor. Devido à cultura que cada leitor está inserido e de acordo com sua experiência, idade, vivência, o significado nem sempre vai coincidir durante a apropriação do texto. Uma situação será lembrada pela sua carga de significação, não como uma percepção de elementos, mas como uma significação valorizada, considerada importante.


Desde a Bíblia, de Shakespeare, Cervantes, Machado de Assis, Pedro Calderón de la Barca, Antoine de Saint-Exupéry, José de Alencar e outros escritores cujas obras viraram clássicos, o texto literário é um recorte de uma época. E, como tal, trata das questões universais do ser humano, ultrapassando gerações, independente da subjetividade, do seu caráter verossímil e da imaginação.

A representação de mundo é a característica fundamental que propicia o diálogo do ficcional com a realidade. Nesse diálogo, fatos guardados na memória podem vir à tona porque mexeram com o lado emocional. No resgate da história, muitas questões poderão ser rediscutidas ou reelaboradas. As emoções fazem o indivíduo pensar em coisas adormecidas no passado. A escola amplia essa experiência na linguagem escrita.


A literatura fornece conteúdos históricos, sociológicos, possibilitando conhecer diversas histórias. Para tanto, nossas conexões neurais, por meio das sinapses, vão acionando áreas responsáveis pela interpretação de todos esses estímulos para construção de nossas memórias.

Nosso cérebro aciona a compreensão por meio de vastas áreas dos lobos temporal, occipital e parietal e sua produção, em grande parte, ao lobo frontal. A produção da linguagem requer a utilização de muitas áreas corticais para assegurar que o sentido das palavras seja adequado e que elas sejam bem pronunciadas e colocadas corretamente na frase.

Sendo assim, ler uma simples história, nos faz viajar por diversas culturas, estimula os lobos cerebrais e ainda ampliamos e reelaboramos nossa memória.

Até o próximo texto colegas.



KREBS, Claudia; WEINBERG, Joanne; AKESSON, Elizabeth. Neurociências Ilustrada. Porto Alegre: ArtMed, 2013.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

A literatura na escola e o cérebro emocional.

A importância das conexões neurais para a aprendizagem está no modo como as informações podem ser armazenadas no hipocampo e trazidas à tona quando solicitadas. Quando um estímulo importante é captado pelos sentidos e atinge regiões cortinais específicas, elas serão direcionadas, interpretadas, elaboradas, e consolidadas na memória permanente.

Quanto mais associarmos estímulos dos vários sentidos, mais facilidade teremos em armazenar informações e resgatá-las quando necessário. 

A formação hipocampal tem como finalidade a consolidação da memória breve em memória definitiva, recebe conexões de todo o neocórtex, que são mapeadas em sinapses, como, por exemplo, se uma área de cor sinaliza "cinza", outra área "grande" e outra área sinalizar "tem uma tromba", o neurônio do hipocampo para o qual os três neurônios se direcionam pode sinalizar que é um elefante.

Sendo assim, neurônios do hipocampo sinalizam de volta ao neocórtex , ativando as mesmas áreas sensoriais que enviaram os sinais originais, fazendo com que uma representação mental do elefante seja formada.

O uso adequado da literatura na escola pode ampliar essa rede de conexões sinápticas, facilitando a memória. O texto provoca no leitor a sensação de uma atividade lúdica de construção e reconstrução de sentido. Porque cria um vínculo entre o leitor e o texto,  possibilitando a interação de várias experiências. O leitor passa a ser além de decifrador de grafemas, um leitor de mundo, como já dizia Paulo Freire.

Para tanto, é preciso exercitar esse cérebro emocional, pensar criticamente com a emoção por meio de vários sentidos. Não é o "Penso, logo existo.", de Descartes, mas, "Penso, porque sinto". Fazer uso do texto como parte da vida social de uma sociedade letrada. 





terça-feira, 20 de agosto de 2019

Sobre o cérebro emocional

Cosenza e Guerra¹ ressaltam que as emoções atuariam como um sinalizador interno de que algo importante estaria ocorrendo. Esse mecanismo permitiria reconhecer as emoções uns dos outros e comunicar situações e decisões aos indivíduos ao nosso redor.

O termo lobo límbico foi utilizado por Pierre Paul Broca, neurologista francês do século XIX. O termo é de origem latina e significa margem, borda.Ele conecta várias áreas de memória com áreas comportamentais, áreas de sensações emotivas com áreas de reações emotivas.

Por meio dessa conexão, todo nosso corpo reage aos estímulos emocionais de uma forma consciente ou inconsciente. Por isso conhecer nosso cérebro emocional é uma forma de saber lidar com nossas reações, o autoconhecimento nos ensina a conviver com a complexidade da vida.

Cosenza e Guerra (2011) reiteram que as emoções precisam ser consideradas nos processos educacionais. O ambiente escolar deve ser organizado de forma a mobilizar emoções positivas (entusiasmo, curiosidade, envolvimento, desafio), enquanto as negativas (ansiedade, apatia, medo, frustração) devem ser evitadas.

Partindo da premissa de que a literatura auxilia na reconstrução da memória episódica, a partir da leitura de histórias que irão ativar algo que está armazenado em nosso sistema límbico, buscar conhecer o emocional do nosso aluno torna-se primordial para o trabalho do professor.

Sobretudo utilizando uma linguagem familiar à cultura da comunidade na qual a escola está inserida. Pois quando o estudante consegue assimilar inicialmente a história, no decorrer da aula, ele poderá acomodar informações e aumentar seu vocabulário bem como os dados da memória. 


1- COSENZA, Ramon M.; GUERRA, Leonor B. Neurociência e Educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: ArtMed, 2011.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Dialogando com outro blog,

literatura e cinema, muita coisa em comum.

Ao ler a postagem do blog de Roberto Sadovski, com o texto "Por que o cinema precisa de mais filmes como Era Uma Vez em Hollywood", um filme de Quentim Tarantino, vi que dá pra fazer um link com o nosso assunto sobre texto literário na escola. È o cinema falando sobre ele mesmo, como metacinema, assim como o texto pode refletir sobre ele mesmo, metalinguístico.


Em seu blog Sadovski relata que o cinema atualmente é feito de marcas, movimentando muito dinheiro num mercado gigantesco que, além do filme, comercializa outros produtos.

Entretanto, os personagens presentes são velhos conhecidos do público mais adulto. O que ocorrem são novas roupagens, novas versões para os clássicos, histórias e enredo já conhecidos.

O filme aborda sobre: 

"Los Angeles, 1969. Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) é um ator de TV que, juntamente com seu dublê, está decidido a fazer o nome em Hollywood. Para tanto, ele conhece muitas pessoas influentes na indústria cinematográfica, o que os acaba levando aos assassinatos realizados por Charles Manson na época, entre eles o da atriz Sharon Tate (Margot Robbie), que na época estava grávida do diretor Roman Polanski (Rafal Zawierucha)."
(sinopse do filme retirado do site http://www.adorocinema.com/filmes/filme-257482/);

"No longa, Pitt interpreta Cliff Booth, dublê e melhor amigo – “mais do que um irmão, pouco menos que uma esposa” – de Rick Dalton (DiCaprio), um ator de TV ultrapassado que ainda sonha emplacar na indústria do cinema."

(sinopse retirado do site https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2019/08/era-uma-vez-em-hollywood-por-que-voce-precisa-assistir-ao-novo-filme-de-tarantino.html)
Como comentamos na postagem anterior, quando se trata de sentimento humano, as histórias ultrapassam épocas, gerações. Sadovski reitera que o cinema não pode sobreviver somente de lançamentos que renderão milhões nas bilheterias. O cinema precisa de boas histórias, e de diversidades de assuntos. Para o blogueiro, é necessário, para a longevidade do cinema, que sejam contadas histórias que surpreendam, estimulem os sentidos e as emoções. Uma história original, com ótimos atores, cumpre sua função de entreter e surpreender.

A literatura é exatamente tal qual essa necessidade do cinema, ter bons personagens, narrativas, enredos, que entretenham seus eleitores, os encantem e cultivem neles a vontade de ler mais e mais.

Essa necessidade humana de contar histórias, vivenciar experiências de outros para entender suas próprias questões é o que motiva milhares de pessoas assistir filmes, a ir ao cinema e também comprar livros, frequentar bibliotecas, livrarias...

Assim como Sadovski fala da necessidade de ir ao cinema, nós professores e familiares precisamos ler, ser exemplo de leitores, demonstrar nosso prazer na leitura.

Vale a pena ler essa postagem de Sadovski e assistir ao filme, fica aqui a dica.

Migrações

                 Episódio 6 - Possibilidades