"... um país se faz com homens e livros.",  Monteiro Lobato

Estou lendo, dentre outros livros, dois que me chamaram a atenção pelos seus títulos: "Leitura de Literatura na Escola"¹ e "De alunos a leitores" ².

Há algum tempo venho observado como as escolas cobram a leitura dos livros paradidáticos solicitados aos seus alunos. Percebo que o interesse é cumprir com um protocolo que caracterizaria nas seguintes orientações: preenchimento das fichas de leitura, talvez fazer uma redação, pesquisar os fragmentos dos textos para demonstrar que o livro foi lido por eles, por inteiro, sem pular capítulos ou páginas ou outro tipo de cobrança.

Ora, essa forma de tratar os textos literários fogem completamente do conceito de leitura literária. Ou se cobra a leitura com o ato de ler ou se cobra a história da literatura, com teorias, fragmentos de textos para análise, etc.

Porque a literatura é um convite para explorar a experiência humana, o enriquecimento do imaginário, da sensibilidade por meio da experiência da ficção. Como já dizia Umberto Eco, "o texto é esburacado e espera que o leitor o complete".

Os livros supracitados asseveram que o objetivo da leitura é despertar o gosto de ler, seja porque temos um gênero preferido (suspense, terror, policial, poesia...) ou porque recebemos uma indicação de quem respeitamos ou porque a obra faz sucesso ou por outros motivos.

A questão é que a leitura não obrigatória promove uma identificação, vivida subjetivamente pelo leitor.

Para implementar essa leitura prazerosa, as escolas deveriam promover uma carga horária somente para leitura, não de fragmento de textos, mas de obras completas, com temas e autores escolhidos por cada aluno.

A leitura de um livro exige tempo de concentração, disciplina e raciocínio, diferente das leituras das redes sociais.

Incluir tempo para ler na sala de aula não significa preencher fichas, fazer resumas,redação ou prova. O objetivo é apenas LER, apenas, com PRAZER, cada um com o seu gosto, criando-se o hábito de leitura.

Após a leitura, os alunos podem conversar entre si, teria um tempo disponível para essa troca de experiências.

Só assim poderemos formar um público leitor de qualidade, que vai aprofundando suas leituras, amadurecendo sua forma de escolher o seu repertório de leituras de boa qualidade. Para tanto, é preciso dar liberdade e tempo de leitura em sala de aula, nem que seja 1 hora por dia.


1- Dalvi, Maria Amélia et ali. (orgs). Leitura de literatura na escola. Sâo Paulo, SP: Parábola, 2013.
2- Ferrarezi Jr., Celso; Carvalho, Robson S. de. De alunos a leitores: o ensino da leitura na Educação Básica.1. ed. - São Paulo: Prábola Editorial, 2017.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os 15 minutos na tela

A cartografia do corpo

Rosa ou rosa choque, eis a questão!