domingo, 15 de fevereiro de 2026

Nossa melhor persona, o carnaval!

 


O carnaval é como se fosse um portal que se abre uma vez por ano para que a travessia seja um encontro com suas diversas personas. Lojas vendendo as fantasias e cada um escolhendo viver seu melhor personagem. A diferença entre as classes sociais se dilui, todo mundo canta e dança coletivamente, atrás de suas máscaras. Lugares enfeitados, bandas tocam marchinhas antigas, grupos fantasiados confraternizam e desfilam pelas ruas embalando coreografias e assustando as criancinhas.

Um campeonato é filmado e divulgado pelos canais de televisão, preparados para levar o espetáculo do desfile aos lugares mais longínquos. Não, não é o futebol. São as escolas de samba, que desenvolvem seus enredos, como se fossem uma obra de arte pintada num quadro ganhando contornos de 3D. Nesse quadro a céu aberto, um mundo se abre por meio da representação de fatos históricos que recebem uma dose de um novo final.

Figuras esquecidas, pouco valorizadas, desconhecidas, de repente criam alma e corpo. Elas ocupam seus lugares na roda da vida, descobrimos um pouco do que a história esqueceu de nos contar. Nunca é tarde para contemplarmos a beleza do brilho daquela estrela que parecia pequena e distante. Atravessando a avenida, o samba penetra no coração de cada componente, os passos, o balançar dos braços, soam uma composição de união entre o agora e o eterno.

Quem não estava desfilando ou assistindo nas arquibancadas e camarotes, estava acompanhando de casa. Muitas pessoas organizavam um evento, com churrasco, bebidas, rodas de samba, conversa. A televisão segue ligada à noite toda. Ninguém deseja perder o momento do desfile de sua agremiação. Eram nomeados organizadores, presidente, patrono, rainha de bateria, tudo cronometrado e submetido à avaliação de uma equipe julgadora.

Nesses dias, não tínhamos horários para fazer nada, tudo corria conforme a energia e vontade de viver intensamente. Parecia que a escolha era paranão ver além das máscaras. Deixar-se levar pelo brilho, o balançar das penas, o colorido de plumas e paetês, indo num encontro de algo que não importa o que seja, apenas ir, sem destino.

Mas, na terça-feira, meia-noite, tudo acaba, necessário atravessar o portal e voltar. Fantasias esquecidas nas esquinas, encostadas nos postes, adereços espalhados pelas ruas, algumas pessoas caídas no chão, adormecidas, tristes, chorosas. Acabou, na quarta-feira, a partir do meio-dia, a rotina de todo dia. Tudo normal.

 

Um comentário:

Sonia disse...

Muito bom o texto, reflexão sobre como somos de fato, a vida depois do carnaval.

Minissérie "Entre páginas e passos de dança.

Episódio 4: Eles ainda estavam juntos ... mas já não estavam no mesmo lugar.               Marinalda percebe que construiu uma vida inteira ...