Era a primeira vez que eu participava.
Confesso que fui sem grandes expectativas. Um almoço é apenas um almoço, pensei. Pessoas conversando, parabéns aos aniversariantes, algumas fotos para registrar o encontro e pronto.
Mas não foi isso que aconteceu.
Em determinado momento, olhando aquela mesa cheia de mulheres e homens animados, conversando sobre viagens, passeios, filhos, projetos, exercícios, restaurantes e planos para os próximos meses, tive uma percepção inesperada.
Durante muito tempo, eu me referia a pessoas daquela faixa etária como "as senhoras", "os senhores", "as coroas".
Era uma categoria distante de mim.
Mesmo tendo ultrapassado os sessenta anos, ainda me surpreendo quando o espelho ou a data de nascimento insistem em lembrar a minha idade.
Mas, naquele almoço, algo se deslocou.
Pela primeira vez, não estava observando a velhice de fora.
Eu estava dentro dela.
E essa constatação não veio acompanhada de tristeza.
Veio acompanhada de espanto.
Porque aquelas pessoas não correspondiam à imagem de velhice que durante tantos anos habitei no imaginário.
Não estavam falando apenas de doenças.
Não estavam se lamentando do tempo que passou.
Não pareciam esperar o fim de alguma coisa.
Ao contrário.
Estavam ocupadas vivendo.
Riam alto.
Faziam planos.
Marcavam passeios.
Comentavam filmes.
Falavam dos netos, dos filhos, dos amores e das viagens.
E, de repente, percebi que não havia uma distância entre elas e eu.
Eram minhas contemporâneas.
Minhas amigas.
Minha geração.
Talvez envelhecer seja também isso: abandonar a ideia de que os velhos são sempre os outros.
Talvez exista um momento em que deixamos de olhar para a velhice como uma categoria social e começamos a enxergá-la como uma experiência humana.
Uma experiência cheia de limitações, é verdade.
Mas também cheia de possibilidades.
Saí daquele almoço pensando que a velhice que eu temia não era exatamente a velhice real.
Era uma imagem antiga dela.
A realidade estava sentada à minha frente, dividindo sobremesas, contando histórias e combinando o próximo encontro.
E, pela primeira vez, senti que pertencia àquela mesa.
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