sexta-feira, 19 de outubro de 2018



Consciência Fonológica

Conforme o que temos assinalado, atualmente a neurociência contribui com o trabalho do professor ao mostrar como funciona o nosso cérebro. Para tanto, atualizou a importância do consciência fonológica para a aprendizagem da língua escrita.

A fonologia fornecerá o meio efetivo de trabalhar a relação som/grafema. Esse reconhecimento se divide em 4 fases: pré-alfabética (desenho da letra, cor, forma), parcialmente alfabética (começa a fazer relação som-letra, mas ainda busca uma regularidade na imagem para decodificar, tendo dificuldade em ler palavras desconhecidas, porque ainda junta o visual e o fonema), alfabética plena (leitura mais precisa, capacidade de ler qualquer palavra, recodificando as letras em sons) e alfabética consolidada (padrões de sons e ortografia são armazenados na memória). 

Nas atividades de alfabetização deverão ser pesquisados textos que possam despertar a atenção aos sons das palavras. Poderão ser utilizados textos com rimas, músicas folclóricas, provérbios, rimas, aliteração, assonância, onomatopeia.

Observe esses exemplos de exercícios:
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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

15 de outubro - Dia do Professor


Mãos Dadas 

(Carlos Drummond de Andrade)
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Eu dedico esse poema aos professores no seu dia especial de comemoração. Nosso momento político está atravessando uma fase de polarização, com as pessoas não se preocupando com propostas, mas em ser anti alguma coisa. E nós professores, no meio dessa discussão, reflitamos sobre como aproveitar a oportunidade para aprofundar conhecimentos históricos nas atividades de aprendizagem da sala de aula.

Assim como o poema de Drummond, eu desejo aos nossos colegas que sigamos unidos, enfrentando os problemas do nosso tempo presente, da vida presente, não nos fragmentando, mais unidos num só  corpo de solidariedade, de mãos dadas.

O tempo presente é nossa matéria, nosso objeto de estudo.

Parabéns Professor

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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Compreensão do erro na escrita do estudante





A escrita do aluno, mesmo que sinalize algum tipo de erro, permite que o professor compreenda a lógica do seu pensamento sobre a escrita. Para tanto, é preciso reconhecer quais os seus conhecimentos sobre a escrita, os sinais utilizados, o espaço do caderno, a direção da esquerda para a direita, o uso da letra ora maiúscula ora minúscula. São conhecimentos relevantes que organizam a língua escrita.

A aquisição da escrita é um processo complexo, envolvendo problemas de fala, quais sejam, problemas neurológicos, funcionais, motricidade orofacial, respiratórios... Além do contato com a cultura letrada, do ambiente familiar, na comunidade e na escola.

Por isso, nós devemos analisar qual tipo de erro é mais recorrente a fim de diagnosticar o bloqueio ou obstáculo, não somente tratar como questão de erros e acertos.

Texto baseado no livro:

A aprendizagem na educação de crianças e adolescentes, de Luiza Elena Leite Ribeiro do Valle (organizadora), editora Wak.

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terça-feira, 2 de outubro de 2018

Avaliação escolar da aprendizagem da língua escrita


Muitas vezes a avaliação escolar leva em conta somente os aspectos objetivos da escrita do aluno demonstrados nas provas, sem realizar antecipadamente um diagnóstico do meio ambiente onde vive o aluno.

Se o aprendiz está inserido numa família que domina pouco a linguagem escrita, onde a experiência verbal é de baixa frequência, com um repertório limitado de palavras, essa experiência vai aparecer na escola. 

Daí a importância de um trabalho de sondagem/diagnóstico e multidisciplinar entre equipe pedagógica, psicopedagógica e os professores. A organização cerebral para aprender e fazer as conexões neurais precisa de estímulo e acompanhamento para explorar todo sua potencialidade.


A escola transmite modelos sociais que são diferentes para cada grupo social a que o indivíduo pertence. Os educandos possuem a sua visão de mundo, o seu saber de acordo com o conhecimento elaborado pela interação com o seu grupo. Entretanto, os mesmos são retirados do seu contexto social, do seu cotidiano, para serem inseridos num ambiente cultural abstrato e num espaço que se pretende neutro que é a instituição escolar.
Diversos grupos agem sobre o processo educativo e influenciam seus resultados. O sistema escolar sempre sofreu as marcas originárias dos diferentes grupos, quais sejam, os gestores (coordenadores, diretores, supervisores, orientadores), o governo, os políticos, os discursos institucionais dos diferentes níveis de hierarquia, os discursos dos usuários.
Freire (2014, p. 25) assinala que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção. A relação professor e aluno não é uma relação de sujeito-objeto, os dois são sujeitos nesse processo de ensino-aprendizagem, “(...). Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. (...)”.

       O autor compreende o homem e a mulher como seres históricos e inacabados, e foram aprendendo que socialmente, na prática, era possível ensinar. Assim, o aprender precederia o ato de ensinar, quanto mais se exercesse a capacidade de aprender, mas se desenvolveria a curiosidade de saber, de conhecer.
       Charlot (2012) assevera que a educação é um direito antropológico. O nascimento possibilita a cada indivíduo o direito de ser educado, permitindo a entrada num processo de humanização, de socialização, de singularização. O autor assinala que é o ingresso numa cultura.
       De acordo com Charlot, a educação consiste em ajudar alguém para que se torne um ser humano singular, pertencente a uma sociedade, a uma comunidade, a um grupo humano e a uma cultura. Para o autor, a emancipação consiste em ajudar alguém a superar os obstáculos encontrados nesse processo.
       Sua reflexão sobre a educação emancipatória é que a prática educativa deve levar em consideração a “equação pedagógica” de que “aprender = atividade intelectual + sentido + prazer”, significa que os alunos estudem para entender o mundo, a vida, para crescer, para se sentir inteligentes. Em seguida, Charlot fala sobre a dicotomia professor de informação x professor de saber. O primeiro, transmite informação que o estudante pode encontrar no Google; mas, o segundo, precisa avaliar a informação, relacioná-la com outra e utilizá-la, a fim de resolver problemas ou responder questões. 

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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

A criança e a aprendizagem da língua escrita


Olá colegas!

Conforme a última postagem, aprender a ler e a escrever não é uma coisa simples. Temos as áreas de Broca e Wernicke envolvidas e suas conexões. Por isso minha proposta para o ensino e avaliação dessa habilidade é a criação de um ambiente que estimule essas áreas do cérebro para o domínio da língua escrita.

No caso do ambiente escolar, pesquisar textos, exercícios, filmes, brincadeiras, jogos que irão despertar o gosto pela leitura e escrita. Tal atividade poderá sr dividida também como tarefa de casa, envolvendo a família no processo de aprendizagem.

As pesquisas realizadas na área de leitura assinalam a importância de percepção da correspondência entre grafema/fonema. Para fazer uma trabalho adequado, as turmas não devem ser grandes para que o professor tenha possibilidade de acompanhar o desenvolvimento do seu aluno. Identificando alguma dificuldade, o correto seria ter uma avaliação multidisciplinar e encaminhar a criança para tratamento, caso seja diagnosticado algum problema neurológico ou emocional.

Para tanto, é necessário ter bons profissionais, que seja realizado um bom diagnóstico, e que não se medicalize qualquer tipo de problema sem a avaliação de um bom médico. Sabemos que, atualmente, todo tipo de comportamento diferente leva a medicalização da criança. Devemos ter cuidado e parcimônia nesse tipo de conduta.

Consulte os nossos vídeos, textos e filmes indicados na coluna do lado direito do nosso blog.

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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Sobre a capacidade de aprender a falar e a escrever


Todos nós nascemos com a competência de aprender a falar, escrever e raciocinar, enfim, ter consciência. Porém, não basta ter essa competência sem a existência de uma estimulação do meio ambiente externo.

Nosso cérebro tem janelas de abertura para a aprendizagem, se aproveitarmos a época certa, as habilidades serão desenvolvidas. 

Lembremos daqueles casos reais de crianças que foram criadas por animais selvagens, nos quais os filmes de Tarzan e Mogli, dentre outros, exemplificaram essa realidade:



Quando nascemos, o cérebro está começando a fazer suas conexões, conforme estimuladas as áreas específicas, os neurotransmissores vão acionando as diversas partes do córtex pré-frontal envolvidas na aquisiçao desse conhecimento.


A área de Broca é responsável pela expressão da fala, e a área de Wernicke é a área associativa auditiva, responsável pela compreensão da linguagem falada.

Segundo o pesquisador Francisco Mora, "... Hoje sabemos que os circuitos neurais que codificam para transformar de grafema a fonema, o que você lê e o que você diz, não fazem conexões sinápticas antes dos seis anos."  



Ou seja, quando passa esse tempo, a aprendizagem será um sofrimento ou nem será possível de que possa acontecer.



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sábado, 15 de setembro de 2018

Os ensinos médio, superior e as ações afirmativas.


Nas últimas postagens do nosso blog falamos sobre a procura pelo ensino médio com vistas ao acesso a uma Faculdade. Bem como as atividades docentes levarem em conta a forma de ministrar aulas para atendimento ao conteúdo cobrado nesses processos seletivos.

Ora, o acesso ao ensino superior não precisaria ser algo tão difícil de se conseguir aprovação. O problema brasileiro é o investimento que se faz na Educação. Sem vagas para todos, aqueles que conseguem um ensino de qualidade, acrescentando a isso pagar por um curso preparatório, acabam ocupando as vagas da universidade, sobretudo as públicas.

 Faço aqui um retorno ao passado recente sobre essa questão. Quando da implantação da política pública do acesso ao ensino superior no Brasil, em 2002,  por meio das ações afirmativas, instalou-se uma polêmica na sociedade sobre a necessidade de uma política de cotas de acesso ao ensino superior com o viés racial, cotas para negros.

De acordo com Silvério (2008), o início do século XXI teve início no Brasil com o debate em torno da educação no processo de desenvolvimento econômico e na promoção da justiça social. A grande novidade seria o surgimento das propostas de ação afirmativa.

Segundo o autor, tais propostas se inserem num contexto social no qual existem 2 questões fundamentais como pano de fundo, a saber: relação de causalidade entre escolarização e renda; e racial e étnico, que condicionariam a mobilidade educacional.

Embora os dados estatísticos demonstrem que, quando há aumento de escolarização, aumenta o salário, o mesmo não ocorre quando se compara a diferença de escolarização entre brancos e negros.

Para Costa (2004), no Brasil, na época do Império, em 1822, juridicamente, a nação estava livre. Porém, as estruturas tradicionais permaneciam inalteradas. Tínhamos herdado uma economia baseada no latifúndio exportador e escravista, uma tradição cultural de mentalidade senhorial:

 "O desenvolvimento da cultura cafeeira veio reforçar esse quadro e tornar mais remotas, nesta primeira fase, as possibilidades de uma evolução para  o trabalho livre. Por toda parte encontrava-se o escravo: nos canaviais, nos engenhos, nos campos de algodão, nas plantações de cacau, nas fazendas de café que se abriam no Vale da Paraíba e nas charqueadas do Sul. No campo e na cidade ele era o principal instrumento de trabalho." (pág. 167)

Costa relata que na Carta Constitucional de 1824 assegurava-se as garantias individuais ao incluir dispositivos da Declaração dos Direitos do Homem, aboliam-se os privilégios e igualava-se a todos perante a lei, mas resguardava-se a propriedade como um direito inalienável e imprescindível do homem, gerando conflitos entre liberdade x direito de propriedade, mantendo a escravidão, o que não preocupava a maioria dos políticos.

E com isso, pouco tempo após a Independência, havia cerca de 2 milhões de habitantes livres e 1 milhão e 150 mil de escravos, concentrados principalmente no Nordeste e na Bahia (zonas tradicionalmente açucareira), nas antigas áreas de mineração e no Rio de Janeiro. Ser dono de terras e escravos eram os ideais da época, possuir escravo conferia prestígio social. Entre os anos de 1840 e 1850 entraram no país uma média de 30 a 40 mil negros por ano, segundo Costa (2004). O contrabando de escravos trazidos da África era altamente lucrativo, embora existisse um decreto, de 1831, declarando livres todos os escravos vindos de fora do Império e impondo severas penas aos traficantes de escravos. Só que a lei era ineficaz. Como os ingleses tensionavam com o Brasil, seus produtos e mercadorias invadiram o mercado brasileiro, como eles eram contra a escravidão, então prosseguiu-se com o tráfico de escravos, era um motivo de desafiar os ingleses. Tal atitude levou ao excesso de escravos e endividamentos dos fazendeiros. Esse era uma assunto que dividia a opinião pública, alguns fazendeiros viram na interdição do tráfico motivo de ganho político. Diante desse contexto, o contrabando de escravos diminuiu, datando de 1856 os últimos desembarque de escravos. 

A condição de vida dos escravos era extremamente precária, as Santas Casas prestavam grandes serviços aos fazendeiros recolhendo os seus escravos. Negros, velhos e doentes, abandonados pelos senhores, perambulavam pelas estradas a mendigar a caridade pública nas cidades.

Tentou-se, através de leis, cercear os abusos cometidos. Cotegipe (Costa, 2005) apresentou à Câmara dos Deputados, em 1854, um projeto que obrigava os senhores a sustentar e manter os escravos alforriados por doença, mas a lei não obteve resultado, a situação de desamparo prosseguia: os precários conhecimentos médicos e o primitivismo da terapêutica improvisada, as más condições higiênicas da senzala, a deficiência de alimentos e do vestuário, as penosas condições de trabalho, tudo contribuía para o alto índice de mortalidade da população escrava. Acrescenta-se à essa situação, a promiscuidade, muitas vezes imperava a licença sexual, não eram raros que os filhos das numerosas ligações resultassem numa população escrava mestiça, às vezes, quase branca.

As afirmações sobre a suavidade do sistema escravista no Brasil, ou sobre a atitude paternalista dos fazendeiros, os retratos do escravo fiel e do senhor benevolente, que acabaram fixando na Literatura e na História, não passariam de mitos forjados pela sociedade escravista para a defesa de um sistema que julgava imprescindível. 

Diante desse relato de nossos pesquisadores, era necessária sim uma política de ação afirmativa no Brasil.


SILVÉRIO, Valter Roberto. O IFP e a ação afirmativa na pós-graduação brasileira. In.: ZONINSEIN, Jonas; FERES JÚNIOR, João (Orgs.). Ação Afirmativa no Ensino Superior Brasileiro. Belo Horizonte: Editora UFMG; Rio de Janeiro: IUPERJ, 2008. p.215-241

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                 Episódio 6 - Possibilidades