A adolescência é uma fase complicada, dois lados brigando dentro do mesmo corpo. É a tal transição: nem criança, nem adulto. Ainda ontem era tão bom levar nas festinhas de aniversário dos coleguinhas, de repente, mudanças ocorrem - vem aquele “esticão”, a menina-moça vê seu corpo ganhar contornos, sua silhueta, um bordado de curvas formando um labirinto de perdas e ganhos. O menino-rapaz engrossa a voz que produz um som ecoando entre as paredes do quarto, talvez procurando a saída dessa fase. Muitos enigmas, poucas respostas. Aliás, nem sabemos o que perguntar durante o percurso.
E como os adultos ficam? Tentam descobrir o valor de x, mas não é fácil quando o próprio x nem sabe quem é. Alguém abriu um livro e surgiram potências e raízes que não se deixam decifrar, tudo está fora do compasso. Já viram o crescimento de uma árvore? Da terra nasce um tronco com raízes fixadas no solo, aparecem os galhos, as folhas, flores e frutos. No interior do fruto, a semente, responsável pela continuidade de uma nova árvore. Pois é, no caso do ser humano, os pais precisam ser iguais a essa árvore, ter um tronco forte e raízes profundas fincadas à terra para segurar as várias tempestades e cuidar do crescimento e do amadurecimento de um novo adulto.
É difícil, ainda mais diante do perigo de se repetir ideias retrógradas na criação de meninos. Sobretudo quando se ensina o menino a olhar o corpo da menina como objeto de satisfação do próprio prazer. Como se a mãe da menina tivesse sempre que ter medo do que poderá acontecer com a sua filha, seja na escola, em festas ou ao se encontrar com o namorado. Parece que para a mulher não pode existir aquele contrato invisível de confiança, onde o namorado diz que “podemos nos encontrar, somente nós dois”.
A parceria entre homens não envolve desconfiança, estão juntos para o que der e vier. Imagine um deles não cumprir o pacto, não seria atitude de homem, a norma permite esse jogo entre os iguais, a tribo autoriza a união para usufruir de um prazer coletivo. Ninguém espera o consentimento da mulher - ela é o seu banquete.
O amadurecimento emocional exige compreender que ninguém é objeto descartável e que todo sim ou não precisa ser respeitado. O mundo não gira em torno de uma única tribo. Existem muitas, cada uma com suas crenças e seus códigos. Mas há um princípio que deveria ser universal e atravessar todas elas: o respeito.
Porque a juventude pode até ser uma incógnita.
Mas o respeito nunca deveria ser.

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