Já pensaram em quantas histórias passaram pelos movimentos das nossas pernas? Se não fossem elas, o que diríamos dos lugares visitados? Há pernas que carregam em suas silhuetas os caminhos percorridos - cada marca do tempo guarda um período intenso da vida.
Era um caminhar tranquilo, um dançar festivo. Quase como um mapa de uma vida que, na época, a gente não pensava muito - apenas vivia. Sem limites. Qualquer ritmo servia: samba, bolero, tango, rock, axé, pagode. E nas festas de “flashback” ... ah, ali elas reinavam. Passinhos coreografados, risos soltos, o corpo obedecendo à música sem esforço.
No futebol, são elas que fazem nascer aquele drible bonito que arranca gritos e alegria dos torcedores. Músculos, articulações, movimento. Somos livres quando ela nos leva para lá e para cá. Com o tempo, porém, a marcha muda. Fica mais lenta, às vezes cansada - mas ainda segue.
E até nas lendas elas aparecem. Em Recife, existe a famosa história da Perna Cabeluda, que assustava moradores e acabou se tornando símbolo dos tempos duros da nossa história.
Varizes? Joelho? Artrose? As marcas que vemos hoje são, muitas vezes, lembranças silenciosas de uma vida que se moveu. O tempo pode ser implacável, mas a vontade de continuar, não.
Pernas grossas, magras, fortes, delicadas, rápidas ou vagarosas. Algumas saltitam, outras, precisam de apoio para cada passo. Mas nenhuma esquece o que é seguir. São elas que empurram o pedal da bicicleta, que sustentam o corpo na subida, que nos levam até um pôr do sol qualquer – desses que fazem tudo parecer ter valido a pena.
Como não amar essas pernas cansadas e cheias de marcas? Elas só confirmam que o valor das coisas está na simplicidade de continuar, mesmo quando o corpo pede pausa. Às vezes, tudo o que precisamos é dar um passo, depois outro, e mais um. Seguir caminhando, dançando, pulando. Lembre-se: no fundo, viver nunca foi uma escolha sobre permanecer intacto, sem as marcas da passagem do tempo.
Vamos juntos?
Som na caixa, DJ.

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