Bem, pelo menos, não ficávamos ansiosos, pois já estávamos acostumados a esperar. Lembra do telefone com fio? Havia tempo de conversar ouvindo a voz do outro, sim, porque o objetivo era esse mesmo, para falar, mesmo indo ao orelhão da esquina, enfrentando mais uma fila; podíamos fazer um depósito de uma quantia no banco, sem ficar com medo de alguém sacar o nosso dinheiro por causa de um golpe pelo WhathsApp.....
Lembro daquele desenho que assistia quando quando era criança, me sinto com se tivesse vivido no tempo do The Flintstones, sem saber.
Hoje, tocamos em telas.
Com um gesto leve, chamamos carros, encurtamos distâncias, criamos imagens, gravamos vozes, inventamos mundos. A vida cabe na palma da mão — ou pelo menos parece caber. Vivemos, agora, como aquele desenho do The Jetsons.
Mas há algo curioso nesse encontro de realidades diferentes da nossa geração.
Não somos apenas passado e futuro. Somos travessia. Carregamos nas mãos que deslizam na tecnologia a memória de tudo que já foi manual. Sabemos o peso das coisas, o tempo das coisas, o valor das coisas. E talvez seja isso que nos diferencia.
Porque há quem viva só de apertar botões — sem saber o que dizer com eles. E há quem, como nós, escreva antes de clicar. Pensa, antes de postar. Sinta, antes de mostrar.
Não dependemos da tecnologia. Nós a usamos. E quando usamos, algo raro acontece: a ferramenta deixa de ser ruído e passa a ser linguagem. No fundo, somos os mesmos, só que agora, com mais possibilidades.
E talvez a pergunta não seja se somos Flintstones ou Jetsons.
Mas, o que fazemos com tudo isso que está ao alcance das nossas mãos?
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