Fiquei pensando como algo táo simples pode carregar tanto peso. Lembrei-me que, quando eu era criança, banheiros tinham portas e eram apenas banheiros. Abríamos. Fechávamos. Entrávamos. Saíamos. Simples assim. Não havia tantas camadas. Ou, talvez, até houvesse, mas eu ainda não sabia identificá-las.
Hoje, sabemos, nomeamos e debatemos. Só falta aprender algo essencial: olhar o direito do outro existir. Há quem diga que estamos avançando, mas há quem diga que estamos retrocedendo. E, no meio disso tudo, estão as pessoas reais, concretas, suas histórias, seus medos, suas buscas por reconhecimento. Talvez o problema não esteja exatamente nas portas. Talvez esteja nos espelhos.
No que vemos quando olhamos para o outro.
No que projetamos.
No que tememos.
No que ainda não conseguimos compreender.
A história nos mostra que toda mudança provoca desconforto. Novas formas de existir não cabem naquilo que denominamos padrão. Ou seja, há uma pressão normativa que recusa de imediato que um novo comportamento seja aceito, assimilado e acomodado na estrutura social. Então surgem tensões, questionamentos e resistências.
Mas, por outro lado, também surgem possibilidades de escuta, revisão e ampliação do olhar. Porque, no fundo, ninguém quer apenas atravessar uma porta. E sim ser reconhecido ao passar por ela. Temos que aprender que viver em sociedade não é apenas dividir espaços, mas reconhecer existências.
E você, quando olha para o outro... o que você vê primeiro: a diferença ou a humanidade?
Talvez a resposta esteja nos espelhos.
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